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A Medicina Tradicional Persa possui uma herança de saberes milenares cuja origem se perde no tempo. Esses conhecimentos vêm se desenvolvendo desde as primeiras civilizações que ocuparam o território do Irã e constituíram o Império Persa até os dias atuais, provando que as Medicinas Tradicionais continuam mais vivas do que nunca.

Entre os segredos da Medicina Tradicional Iraniana encontramos a rosa damascena ou rosa de damasco, também conhecida como Gol-E-Mohammadi, a flor do Profeta Maomé. E é sobre ela que vamos falar neste artigo. Continua comigo?

Qual é a origem da rosa damascena?

A rosa damascena (Rosa damascena Mill.) é uma flor originária de Damasco, na Síria, território que fez parte do Império Persa durante o período Aquemênida. Ela é resultado da combinação de outras duas espécies de rosas, a rosa gálica e a rosa fenícia.

Muito mais do que uma planta ornamental, a rosa damascena tem uma profunda simbologia místico-religiosa e constitui um dos elixires de boa saúde na Medicina Tradicional Iraniana, sendo cultivada há mais de 3000 anos na região.

Significado da rosa damascena ao longo da História

Na Mesopotâmia, a rosa damascena simbolizava beleza, fertilidade e conexão com o divino. Por isso, era comum encontrá-la em jardins, templos e construções dedicadas à espiritualidade.

Já no Egito, as propriedades medicinais da rosa de damasco eram bem conhecidas e aplicadas no tratamento de vários desequilíbrios de saúde. Além disso, elas tinham um importante papel em rituais e cerimônias funerárias.

Nas civilizações grega e romana, ela era símbolo de amor, beleza e luxo. Por esse motivo, ela era sinônimo de status social e poder, adornando jardins, palácios e espaços públicos.

No Marrocos, o clima propício fez com que a rosa damascena se tornasse a base de uma verdadeira indústria de perfumaria e cosmética, a qual se mantém ainda hoje no Vale das Rosas e é motivo de celebrações com canto, dança e rituais em torno dessa flor.

Na tradição persa, a rosa damascena simboliza o amor terreno e espiritual, representando a jornada da alma em direção ao divino. Ela também simboliza a transitoriedade da vida, inspirando as pessoas a desfrutarem da matéria como algo bonito, porém, passageiro.

Místicos e poetas sufis utilizaram a rosa como uma metáfora para o despertar espiritual, comparando os espinhos às provações da vida que nos conduzem à busca pelo divino.

No Irã, ela é chamada de Gol-E-Mohammadi, isto é, a rosa do Profeta Maomé, pois diz-se que ele tinha muito apreço pelo aroma dessa flor.

Do Oriente Médio para o mundo

As constantes trocas comerciais entre os países da Ásia Central fez com que a rosa de damasco ganhasse o mundo, chegando inclusive à Índia e à Medicina Ayurveda, por volta do ano 1400 d.C.

Devido às constantes movimentações populacionais, suas propriedades medicinais foram sendo transmitidas por botânicos, herbalistas, horticultores e até mesmo poetas, fazendo com que essa flor ganhasse cada vez mais respeito e admiração.

A tradução de livros persas para idiomas europeus fez com que o conhecimento sobre a rosa damascena também se espalhasse por esse continente. E a partir da Europa, ela finalmente ganhou o mundo.

Óleo essencial de rosa damascena

As propriedades medicinais da rosa damascena podem ser aproveitadas de diversas formas, sendo que o óleo essencial da planta é um dos mais utilizados em todo o mundo — e um dos mais caros.

Conhecido como ouro líquido, o óleo essencial de rosa damascena é cotado com os mesmos valores do ouro no mercado, tamanha é sua importância.

A água de rosa damascena

Além do óleo essencial, a água de rosa damascena também tem um papel de destaque na Medicina Tradicional Iraniana, carregando ancestralidade e tradição.

A colheita das rosas por si só já é um grande evento, que atrai tanto as comunidades que fazem a destilação da água de rosas quanto visitantes curiosos para viver a experiência.

O processo de colheita começa antes do nascer do sol e é feito manualmente, a fim de preservar o aroma das rosas. A extração da água de rosas também é feita de maneira tradicional, a vapor, a fim de refinar a água e acentuar seu aroma.

O extrato de água de rosas obtido é usado tanto na culinária quanto em preparados medicinais, além de estar presente em cerimônias e rituais religiosos.

Propriedades medicinais da rosa de Damasco

Além do profundo significado místico e espiritual, a rosa damascena também guarda propriedades medicinais únicas, que a tornam um verdadeiro elixir.

Com propriedades anti-inflamatórias, antimicrobianas, antioxidantes, analgésicas, antidiabéticas e antidepressivas, a rosa damascena é utilizada no tratamento de distúrbios digestivos, dores no peito e abdômen e também no tratamento de desequilíbrios menstruais, como menorragia, entre outros.

Ela também é um excelente tônico para o coração e atua no alívio de sintomas respiratórios, como tosse e coriza. A água de rosas é muito utilizada no tratamento de feridas, por ter propriedades antissépticas.

A rosa damascena também possui atividade anti-HIV e antidiabética, além de promover relaxamento e ter efeito levemente laxante. Ela ainda conta com efeitos benéficos para a função cerebral, sendo uma excelente aliada no tratamento de perda de memória e doenças neurodegenerativas.

O efeito anticonvulsivante da rosa damascena também a torna uma boa aliada no tratamento de doenças como epilepsia ou crises convulsivas.

Não sei você, mas desde criança eu via minha avó e minhas tias usando água de rosas para limpar e perfumar a pele, um costume que eu mantenho até hoje. Obviamente, não é água de rosa damascena dos campos de Kashan, mas prova que essa tradição venceu todas as barreiras geográficas e se perpetua até os dias atuais.

Espero que você tenha gostado de saber mais a respeito da rosa damascena e da importância dela para a Medicina Tradicional Iraniana. Se quiser receber novos conteúdos como este, aproveite para assinar a minha newsletter!

Um abraço e a gente se vê no próximo artigo.

Eve.

Évelim Wroblewski

Geminiana, comunicóloga, taróloga, terapeuta Ayurveda e da Ginecologia Natural. Possui Especialização em Striroga (Ginecologia Ayurveda) e Manas Vijñana (Psicologia Ayurveda). Cursou Formação em Medicina Tradicional e Herbolaria Andina, Formação em Parteria Ancestral Andina e Diplomatura em Medicina Tradicional e Cosmovisão Indoamericana.

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