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Mais do que um sistema de medicina, o Ayurveda traz ensinamentos que nos permitem viver de forma mais harmônica com a nossa comunidade, com a Natureza e com o Universo.

Isso pode ser percebido tanto nas rotinas diárias, conhecidas como dinacharya, quanto nos três pilares que sustentam a vida, segundo essa tradição: ahara, nidra e brahmacharya.

Ahara está relacionado à nutrição. E aqui vou um pouco além dos alimentos e bebidas para lembrar que o que vemos, ouvimos, cheiramos e tocamos também nos nutre de alguma forma.

Nidra, por sua vez, está relacionado ao sono. Mas, de uma forma mais ampla, podemos pensar no descanso, que é tão importante para manter a nossa vitalidade.

Então, chegamos ao terceiro pilar, que costuma ser ignorado ou até mesmo substituído por coisas aleatórias porque pode suscitar muitos debates: brahmacharya. E é sobre ele que vamos falar neste artigo. Continue comigo!

Brahmacharya: o que é?

Para entendermos o que é brahmacharya, primeiramente precisamos nos debruçar sobre as origens dessa palavra.

Brahmacharya é a junção de duas palavras em sânscrito: brahman e charya.

Brahman é a realidade última, o Ser Supremo que dá origem a tudo o que existe no universo. Esse Ser Supremo é não-dual, isto é, nem masculino nem feminino, impessoal e desprovido de qualquer qualidade ou ação.

Isso quer dizer que nessa forma não-dual, Brahman é onipresente, mas não se manifesta. Também não possui qualidades, portanto, não pode ser bom ou ruim, luz ou sombra, verde ou amarelo. Apenas é.

Brahman, por sua vez, deriva de uma outra palavra, bṛh, que significa “expandir”, “crescer”, “desenvolver”. Então temos charya, que significa “prática”, “conduta”, “rotina”.

Nesse sentido, podemos entender o significado de brahmacharya como “condutas de Brahman” ou “condutas que levam a Brahman” ou à realidade última de todas as coisas, que você pode chamar de Deus, Alaha, Inanna, Aditi, Pachamama, Yhawehá, não importa.

Brahmacharya no sistema varnashrama

O sistema social da Índia Antiga dividia a vida das pessoas em quatro estágios:

  • brahmacarya (estudante dos Vedas com voto de castidade);
  • garhasthya (pessoa casada);
  • vanaprastha (eremita da floresta);
  • sannyasa (asceta que renunciou ao mundo).

A fase de brahmacharya se dava entre 5 e 25 anos de idade, podendo estender-se por mais tempo se assim a pessoa decidisse. Esse período correspondia ao desenvolvimento social, cultural, emocional e espiritual da pessoa. 

Coincidentemente ou nem tanto, as regras e condutas que deveriam ser seguidas pelos bramacharis foram compiladas no Manu Smrti, responsável por tirar completamente os direitos das mulheres na sociedade indiana daquela época.

Por isso, ao longo dos últimos dois mil anos (mais ou menos) nos acostumamos a pensar e ver representações somente de brahmanes homens e a associar o significado de brahmacharya como celibato.

Brahmacharya no Ayurveda: como praticar?

Na Medicina Ayurveda, a ideia de brahmacharya está relacionada ao controle dos sentidos. E aqui não se trata de algo restritivo, mas sim conectado à manutenção da saúde.

O Ayurveda nos ensina que os desequilíbrios de saúde começam por usarmos nossos sentidos de forma excessiva, insuficiente ou equivocada. A partir disso, podemos pensar em uma centena de situações:

  • comer em excesso ou jejuar por tempo demais;
  • dormir muito ou dormir pouco;
  • falar demais ou passar muito tempo em silêncio;
  • passar muito tempo em frente ao computador ou smartphone;
  • praticar atividades sexuais sem controle e discernimento;
  • não beber água suficiente ao longo do dia;
  • usar roupas de verão durante o inverno.

A lista é infinita. Toda vez que não temos discernimento para usar nossos sentidos com consciência e presença, estamos violando o brahmacharya. Logo, para fazer o brahmacharya só precisamos ouvir mais os nossos corpos e o nosso ambiente.

Se tomarmos Brahman como o Universo e adotarmos a perspectiva do Charaka Samhita de que nós somos um epítome (um resumo, um modelo ideal) do Universo, então saberemos que praticar o brahmacharya é nada menos do que seguir o que a Natureza nos ensina.

Despertar com os primeiros raios de Sol, assim como os animais fazem, o que chamamos de brahma muhurta; adequar nossos comportamentos às estações do ano; nos alimentarmos do que a terra nos dá, não dos pacotes de congelados do supermercardo, e por aí vai.

Brahmacharya também significa buscar o equilíbrio em nossas vidas. Isso requer tempo e espaço para observar, para refletir, para transformar. Exige tempos de introspecção e extroversão, assim como a Natureza o faz todos os anos.

Quais são os benefícios de praticar o brahmacharya?

Como eu disse antes, na concepção do Ayurveda, brahmacharya é acompanhar o ritmo da Natureza, que é o nível do Universo mais próximo de nós.

Quando escolhemos respeitar esse ritmo, temos a oportunidade de experienciar a vida de uma maneira mais presente e profunda. Ver o Sol nascer, ouvir os pássaros cantando, dar-se o tempo necessário para que o seu corpo desperte sozinho (não com um balde de café no estômago vazio)…

Escolher as pessoas com quem você se relaciona, aprender a dosar a comida, a bebida, as conversas, as leituras e até as músicas pode reduzir a ansiedade, a depressão, a raiva… também pode contribuir para um colesterol mais baixo, uma pressão arterial equilibrada, uma disposição maior para praticar atividades físicas.

Tocar-se todos os dias para sentir como o seu corpo está, se existe alguma dor ou desconforto, acariciar-se para sentir que você está presente pode trazer mais autoestima e mais autoconhecimento.

Deixar que o seu olhar se perca nos detalhes de uma flor do seu quintal em vez de passar horas e horas em frente ao computador pode contribuir para a sua saúde visual, para regular seu sistema nervoso, para livrar a sua mente de pensamentos negativos…

Eu poderia continuar falando aqui por mais páginas e páginas, mas quero resumir da seguinte maneira: brahmacharya é viver no corpo, a partir do corpo e para o corpo. Isso não significa limitação do prazer, mas sim ter prazer com qualidade, com presença.

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Um abraço e a gente se vê em breve.

Eve.

Évelim Wroblewski

Geminiana, comunicóloga, taróloga, terapeuta Ayurveda e da Ginecologia Natural. Possui Especialização em Striroga (Ginecologia Ayurveda) e Manas Vijñana (Psicologia Ayurveda). Cursou Formação em Medicina Tradicional e Herbolaria Andina, Formação em Parteria Ancestral Andina e Diplomatura em Medicina Tradicional e Cosmovisão Indoamericana.

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