Há milhares de anos as mulheres vêm desenvolvendo uma série de práticas de autocuidado e promoção da saúde que, pouco a pouco, foram sendo apropriadas pelo patriarcado ou então enquadradas como bruxaria, simpatia, superstição, crendice ou até mesmo prejudiciais para a saúde, numa tentativa de desqualificar nossos conhecimentos de medicina.
A vaporização uterina é uma dessas práticas. Contudo, graças à resistência de mulheres que não se deixaram calar e transmitiram esse conhecimento de geração em geração, hoje podemos desfrutar de todos os benefícios da vaporização vaginal e compartilhar esses saberes com outras mulheres para promovermos mais autonomia em saúde.
Bastante acessível a qualquer mulher, a vaporização uterina é uma ferramenta de reconexão física, mental, emocional e espiritual que vem ganhando cada vez mais adeptas em todo mundo, especialmente por causa da expansão da Ginecologia Natural.
Contudo, ela é uma prática milenar que vem sendo preservada por mulheres originárias de todo o mundo, com registros de seu uso na Medicina Tradicional Mexicana, Medicina Tradicional Andina, Medicina Tradicional Indiana e Medicina Tradicional Africana, entre outras.
Se você chegou até aqui para saber mais sobre a vaporização uterina e seus benefícios, continue a leitura. Vou compartilhar com você o que aprendi nos últimos anos estudando com mulheres medicina de vários lugares do mundo. Vem comigo?
O que é vaporização uterina?
Vaporização uterina, também chamada de vaporização vaginal, é uma prática ancestral que consiste em direcionar vapor de ervas para a região da vulva, de modo que a mucosa vaginal possa absorver esse vapor e agir localmente.
Na prática, você faz uma infusão de ervas, despeja essa infusão em uma vasilha — preferencialmente de barro, para manter o calor — e se agacha sobre essa vasilha para receber o vapor quente.
O calor, somado às propriedades medicinais das ervas escolhidas, faz com que os poros da sua mucosa vaginal se abram e recebam mais facilmente essa medicação natural.
Esse método de tratamento pode ser usado para restabelecer a saúde em questões de irregularidade menstrual, sintomas de síndrome pré-menstrual, cólicas menstruais e amenorreia, entre outras situações ligadas ao ciclo menstrual.
A vaporização uterina também é muito utilizada durante o pós-parto, para fechar e tonificar o útero, assim como em casos de atrofia vaginal, dispareunia e traumas sexuais.
Mas essa medicina vai muito além do bem-estar físico, sendo de grande valor para o reequilíbrio energético da mulher, elaboração de emoções e traumas, reconexão com a ancestralidade e com o próprio feminino.
De uma forma resumida, eu acredito que a vaporização uterina nos devolve a nossa soberania como mulheres medicina, pois nos ajuda a trabalhar o nosso feminino em conexão com a natureza.
Inclusive, existem relatos de que em muitos locais as mulheres usavam a vaporização para entrar em estados ampliados de consciência, fazendo uso de plantas de poder para isso.
Quais são os benefícios da vaporização vaginal?
Como eu mencionei anteriormente, a vaporização uterina trabalha em todo o organismo, devolvendo o equilíbrio físico, mental, emocional e espiritual à mulher. A ação sentida no corpo tem muito a ver com as ervas que você escolhe para fazer a vaporização. Afinal, cada planta possui propriedades medicinais e energéticas únicas.
A arruda, por exemplo, nos ajuda a trabalhar questões com a nossa ancestralidade, em especial, a nossa linhagem feminina. Além disso, ela estimula a vasodilatação. Portanto, pode ser uma boa aliada em casos de amenorreia ou atraso menstrual, pois vai ajudar a estimular o fluxo menstrual.
A artemísia também estimula o fluxo menstrual e ajuda a regular o nosso ciclo. Mas no campo energético, ela oferece uma medicina mais sutil, estimulando nossa intuição e feminilidade. Ela também é uma planta que nos ajuda a conectar com a nossa coragem interior.
O alecrim traz mais energia e vivacidade para as nossas vidas, ajudando a trabalhar a criança interior que cada uma de nós traz consigo. Ele é ideal para momentos em que você precisa recuperar a alegria de viver, deixando de lado a rigidez e os traumas passados.
A camomila é calmante e traz uma energia de acolhimento, sendo uma grande amiga em momentos de cólica, acúmulo de gases ou até mesmo candidíase de repetição. Aqui, é importante ter o cuidado de não realizar a vaporização enquanto a candidíase estiver ativa.
O dente de leão é uma erva coringa para desintoxicar e desinflamar o organismo. Já a sálvia é muito boa para regular o ciclo menstrual e reduzir o fluxo menstrual abundante.
Eu poderia ficar aqui listando plantas atrás de plantas, mas acho que você já pegou a ideia. O melhor é entender qual problema você deseja trabalhar com a vaporização e escolher as ervas junto com alguém mais experiente, que possa te direcionar com relação ao uso de cada uma.
Quais são as contraindicações da vaporização uterina?
Assim como qualquer prática terapêutica, a vaporização vaginal também tem contraindicações. A principal delas é para gestantes e pessoas que usam DIU. Se você tem miomas ou qualquer tipo de ferida na vulva ou colo do útero, a vaporização uterina também não é recomendada.
Além dessas situações, você também não deve fazer a vaporização enquanto estiver menstruada. Este ponto é meio controverso porque algumas terapeutas não veem problema em realizar a vaporização vaginal durante a menstruação. Mas a minha experiência pessoal me diz que não é o melhor momento para esse tipo de terapia.
Como fazer a vaporização uterina com segurança?
A primeira coisa que você precisa para fazer a vaporização uterina com segurança é escolher as ervas certas. Para quem está iniciando a prática, o melhor é escolher apenas uma erva, para observar os efeitos com mais facilidade.
A escolha da vasilha também é importante, para que você não se queime. As vasilhas de barro são mais seguras e mantêm o calor por mais tempo. Mas, caso você não tenha nenhuma em casa, prefira uma de louça ou de vidro, evitando recipientes de plástico.
Você também deve separar um cobertor ou manta para cobrir o seu corpo do quadril para baixo, a fim de manter o calor por mais tempo e evitar o contato do vapor quente com o frio do ambiente.
Você pode, ainda, escolher uma música relaxante e preparar o ambiente com um incenso, óleo aromático ou quaisquer itens que possam ajudar na sua introspecção. Com tudo isso arranjado, siga os passos a seguir:
- ferva de 1 a 2 litros de água;
- coloque as ervas na vasilha e despeje a água em cima;
- verifique se a temperatura é tolerável antes de agachar-se sobre o recipiente. Você pode fazer isso colocando o dorso da sua mão para sentir a temperatura do vapor.
- tire a calcinha ou qualquer roupa de baixo, deixando a área da vulva livre;
- fique de cócoras ou de joelhos sobre a vasilha, de modo que o vapor medicado chegue até a sua vulva;
- enrole uma coberta ou manta em torno de você, para tapar toda a região que está recebendo a vaporização;
- permaneça por 15 ou 20 minutos recebendo o vapor.
Como a posição de cócoras ou de joelhos pode ser desconfortável para muitas pessoas, você pode comprar ou mesmo fazer me casa um banquinho de vaporização uterina, como o da imagem abaixo.

Como você pode observar, o banco tem um furo no meio, que permite que o vapor suba até a sua vagina enquanto você permanece sentada.
Após a vaporização, evite pegar vento frio ou usar roupas muito leves. O ideal é que você possa se recolher logo em seguida, seja para ler um livro tranquilamente ou dormir bem protegida.
Gostou de saber mais sobre a vaporização uterina? Então te convido para conhecer também o yoni avagaham, uma prática que também é milenar e que pode te ajudar em diversas situações.
Um abraço e a gente se fala no próximo artigo.
Eve.

