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Dravyaguna é uma das áreas mais fascinantes da Medicina Ayurveda, pois nos mostra como compreender e utilizar as inúmeras substâncias existentes no Universo como medicamento.

É como um manual vivo, que nos lembra que tudo o que existe, seja animal, vegetal ou mineral, é feito por panchamahabhutas. E, tendo a mesma essência, as substâncias podem se combinar para gerar determinados efeitos, o que chamamos de propriedades medicinais.

Nesse sentido, de nada adianta decorarmos as doenças de vata, pitta e kapha, ou as interações entre os doshas em nosso organismo, se não soubermos exatamente qual substância ou dravya utilizar para equilibrá-los.

Pensando nisso, hoje vim compartilhar com você minha visão sobre esse saber tão poderoso. Continua comigo?

O que é dravyaguna, afinal?

Dravyaguna é a área de conhecimento que se ocupa do estudo e compreensão das propriedades das substâncias vegetais, animais e minerais utilizadas como medicamentos no Ayurveda.

A palavra dravyaguna é derivada de outras duas: dravya e guna. Dravya (द्रव्य) é comumente traduzida como “substância”, mas também pode ser entendida como “matéria”.

Guna (गुण), por sua vez, costuma ser traduzido como propriedade ou qualidade. Sendo assim, dravyaguna refere-se às propriedades das substâncias ou qualidades da matéria.

Fazendo um comparativo com o conhecimento moderno, podemos dizer que dravyaguna corresponde à farmacognosia, ou seja, o estudo dos princípios ativos dessas substâncias. Também podemos traçar paralelos entre dravyaguna e o herbalismo, que se concentra no uso medicinal das plantas.

Como você deve imaginar, este não é um conhecimento novo. Evidências arqueológicas demonstram que o ser humano já fazia uso de plantas medicinais há pelo menos 2,4 milhões de anos.

Quando buscamos registros escritos, encontramos a evidência mais antiga do uso de plantas medicinais na laje de argila suméria de Nagpur, a qual data de aproximadamente 5000 anos. Nela, encontramos 250 espécies de plantas listadas e 12 receitas de preparação de medicamentos.

Na China, o livro mais antigo que trata do uso medicinal das plantas é o Pen T’Sao, com cerca de 4500 anos. Nele, encontramos 365 espécies de plantas registradas e seus usos.

No Egito, o papiro Ebers (1550 AEC) é o mais representativo quando falamos em plantas medicinais. Ele lista 700 espécies de plantas e cerca de 800 indicações de uso.

Na Índia, encontramos nos Vedas uma série de indicações terapêuticas utilizando-se variados tipos de plantas. Um conhecimento que se desenvolveu mais intensamente nas medicinas Ayurveda e Siddha aos longo dos últimos 3 mil anos.

Já do nosso lado do globo, temos na Medicina Kallawaya o maior exemplo de registro de plantas ao longo dos tempos. Os médicos oficiais dos incas compilaram pelo menos 900 plantas medicinais e seus usos, formando o que hoje conhecemos como a Farmacopéia Kallawaya — um documento tão utilizado nos dias de hoje quanto os próprios clássicos ayurvédicos.

Mas o que o conhecimento de dravyaguna tem de tão especial?

Dravyaguna: as propriedades da matéria

Quando nos dispomos a estudar dravyaguna de uma forma mais aprofundada, temos que ter em mente que existe uma substância que afeta uma outra substância. Por exemplo, um alimento que afeta nosso corpo.

Agora, pare e pense comigo. Se todas as substâncias do Universo são formadas por panchamahabhutas, o raciocínio lógico é que dravyaguna nada mais é do que o estudo da interação desses panchamahabhutas em diferentes manifestações — ou frequências vibratórias, como chamamos no misticismo.

Para deixar mais claro, vamos a um exemplo prático. Imagine que você está prestes a comer uma maçã. Essa maçã é formada por panchamahabhutas.

Uma vez que você tenha comido a maçã, seu organismo vai quebrá-la em pedaços cada vez menores, até que o que você conhecia como maçã se transforme em akasha (éter), vayu (ar), agni (fogo), jala (água) e prthvi (terra). Ou seja, em panchamahabhutas, os quais serão absorvidos pelo seu organismo de acordo com a necessidade dele.

Percebe que no final das contas tanto a maçã quanto o seu corpo têm os mesmos elementos, só que em quantidades diferentes?

Essa percepção, que passa batida para boa parte das pessoas que estudam e praticam a Medicina Ayurvédica, nos coloca em uma situação privilegiada de observação da realidade.

Observando a realidade pela ótica de dravyaguna

O que realmente me encanta em dravyaguna é olhar pela minha janela e saber que aquele pé de xaxim e eu somos a mesma coisa. Ou que os botões de rosa multicoloridos que existem no meu jardim também são semelhantes a mim.

O que nos diferencia em forma é apenas um arranjo diferente, como a união dos elétrons na constituição dos átomos e a junção dos átomos para a formação das moléculas.

E o que me espanta nesse conhecimento milenar é que, ao reconhecer isso, podemos tratar qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo. Podemos conversar com essas plantas como os xamãs e as curandeiras e descobrir seus segredos através da observação e da experiência.

Mais do que isso, podemos vislumbrar a unicidade dentro da multiplicidade e a multiplicidade dentro da unicidade. Ou seja, a divindade que constitui cada ser que habita este planeta — seja ele vegetal, animal ou mineral.

Desvendando o rasa (sabor), guna (propriedades), virya (potência), vipaka (sabor pós-digestivo) e prabhava (ação específica) de cada vegetal, animal ou mineral, temos o prazer de conhecer aquelas características que lhes são únicas, como a personalidade, o caráter e o modo de ser de uma pessoa.

Somos apresentadas a um mundo particular cheio de vida e de karma (ações), capaz de transformar os processos metabólicos que acontecem em nosso organismo para torná-lo saudável.

Experimentamos um pouquinho que seja a sensação de ser um pouco mais como a cúrcuma ou o alecrim e de perceber como nossos corpos reagem ao contato do boldo ou da sálvia.

Podemos afetar essas substâncias e nos deixarmos afetar por elas. Também podemos cuidá-las e deixar que elas cuidem de nós.

E no final das contas, tudo o que sobra é dravya, é matéria, seja eu, você, um grão de arroz ou um botão de rosa.

Essa é a verdadeira ciência de dravyaguna: um entendimento profundo sobre como afetamos e somos afetados por tudo ao nosso redor. E como podemos trabalhar em consonância com essas formas de manifestação para mantermos um ecossistema — interno e externo — saudável.

Obrigada por me ler até aqui e a gente se vê no próximo artigo.

Um abraço,

Eve.

Évelim Wroblewski

Geminiana, comunicóloga, taróloga, terapeuta Ayurveda e da Ginecologia Natural. Possui Especialização em Striroga (Ginecologia Ayurveda) e Manas Vijñana (Psicologia Ayurveda). Cursou Formação em Medicina Tradicional e Herbolaria Andina, Formação em Parteria Ancestral Andina e Diplomatura em Medicina Tradicional e Cosmovisão Indoamericana.

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