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Se você já acompanha algum perfil de Ginecologia Natural no Instagram, certamente já deve ter ouvido em plantar a lua. Essa prática ancestral está presente em várias culturas e vem sendo resgatada por mulheres que estão em busca de uma maior conexão com a Natureza e consigo mesmas.

Plantar a lua também tem se mostrado um ato de resistência diante de uma cultura patriarcal que não só patologiza a menstruação como também a reduz a algo sujo, impuro, que deve ser escondido e negado pela sociedade.

Além disso, essa prática nos ajuda a reconectar com a nossa ancestralidade, honrar o feminino e estabelecer novas — ou antigas — formas de se relacionar com o meio ambiente.

Quer saber mais? Então continua comigo!

O que é plantar a lua?

Plantar a lua é uma prática ancestral que consiste em devolver o sangue menstrual para a terra. Esse costume está presente em diversas culturas e representa um ato de reverência e retribuição a tudo o que a Mãe Terra dos dá.

Na cultura andina, a Mãe Terra é chamada de Pachamama. Mas Pachamama representa muito mais do que o nosso planeta. Ela é a criadora de todo o Universo, manifesto e imanifesto.

Quando plantamos a lua, estamos devolvendo a esse Ser Cósmico, onipresente e onipotente, o que temos de mais sagrado dentro de nós, o nosso sangue. Portanto, plantar a lua é um rito de agradecimento, de devoção a essa Grande Mãe que nos acolhe, que nos dá abrigo, alimento e proteção.

Por que plantar a lua?

Como eu disse antes, plantar a lua é um ato de devoção. Se considerarmos que para os povos originários Deus / Deusa está na Natureza, fica fácil compreender que nesse contexto a terra, essa aí do seu jardim, é um grande altar.

Quando você derrama seu sangue menstrual sobre a terra e faz um pequeno agradecimento por todas as dádivas que já teve na vida, está se conectando com a divindade da mesma forma que uma pessoa faria em uma igreja ou sinagoga.

Além disso, a terra também representa a nossa ancestralidade. Basta lembrar da passagem da bíblia que diz “do pó viestes e ao pó voltarás”. Logo, ao fazer essa oferenda, você está honrando todas as mulheres que vieram antes de você e as que virão depois de você.

É como se você fizesse parte de uma grande corrente, na qual cada mulher é um elo entre presente, passado e futuro. Quando você compartilha seu sangue com a terra, está se conectando a essa grande egrégora feminina.

Como plantar a lua, afinal?

Plantar a lua é muito fácil. Primeiramente, você precisa usar um método de absorção da menstruação que seja natural, como um coletor menstrual ou um absorvente ecológico de pano. Você também pode usar as calcinhas menstruais.

Com o coletor menstrual é ainda mais fácil. Você pega a menstruação que foi coletada, mistura com um pouco de água e despeja o líquido na terra, fazendo um agradecimento, uma breve oração ou até mesmo um ritual.

Com os absorventes ecológicos e as calcinhas menstruais, você vai colocá-las em uma bacia com água, para que a menstruação se dilua na água, e então fará a entrega desse líquido para a terra.

O ideal é que você faça isso num momento tranquilo, em que possa realmente se manter presente e concentrada. Você pode despejar a água em qualquer espaço com terra, seja um vaso, um pequeno jardim ou um bosque, por exemplo. O que realmente importa é a sua intenção.

Plantar a lua faz bem para as plantas?

Essa é uma dúvida comum, ainda mais porque sempre ouvimos que a menstruação é algo sujo, impuro. Contudo, a história é bem diferente.

A menstruação possui nitrogênio, fósforo e potássio, três nutrientes essenciais para a fertilização das plantas. Ou seja, ao plantar a lua, você ajudando a terra a se tornar mais fértil para que as plantas possam crescer de maneira mais saudável.

Inclusive, esse era um dos objetivos primários de se plantar a lua nas culturas antigas: fertilizar o solo para o plantio das sementes. Daí o “plantar” de plantar a lua.

Por que plantar a “lua”, e não o “sangue”?

A lua entra nessa equação porque é a responsável por regular os ciclos das marés e os ciclos de plantio e colheita. Além disso, o ciclo menstrual também está intrinsecamente conectado com as fases da lua.

Em um nível arquetípico, a lua representa tudo o que é feminino, fluido, cíclico. Logo, plantar a lua é algo que segue esse movimento lunar, que se renova a cada 28 ou 29 dias, assim como a nossa menstruação.

Trata-se de reverenciar o feminino em suas diversas manifestações, criando uma conexão com essa parte de nós que foi soterrada por um mundo extremamente patriarcal e linear, incapaz de se abrir para a ciclicidade da vida.

Oração para plantar a lua

Para terminar a nossa conversa, deixo aqui para você uma oração para plantar a lua. É de minha autoria.

Querida Mãe de todos os seres manifestos e imanifestos,

Deusa das águas, dos ventos, da terra e do fogo,

Gentilmente eu devolvo a você uma parte de mim,

Que me fiz das tuas entranhas, do teu útero cósmico que abriga este e outros universos.

Recebe esta oferenda como um sinal de reverência, amor e devoção a Ti, que estende o Teu amor e a Tua compaixão a todos os seres.

Nutre e fertiliza o solo que nos dá alimento, purifica a água que nos mata a sede, mas, principalmente, Mãe, nutre, fertiliza e purifica a mente de nós, seres humanos, para que saibamos honrar a Tua vontade e os Teus desígnios.

Meu corpo é o Teu corpo, e o Teu corpo é o meu corpo. Assim estamos conectadas para todo o sempre. Assim é!

Espero que este artigo tenha te ajudado a entender melhor o que é plantar a lua e por que tantas mulheres estão resgatando essa prática milenar.

E que a cada dia você descubra um pouquinho mais dessa magia que nos torna unas com a Grande Mãe.

Um abraço e a gente se fala no próximo artigo.

Eve.

Évelim Wroblewski

Geminiana, comunicóloga, taróloga, terapeuta Ayurveda e da Ginecologia Natural. Possui Especialização em Striroga (Ginecologia Ayurveda) e Manas Vijñana (Psicologia Ayurveda). Cursou Formação em Medicina Tradicional e Herbolaria Andina, Formação em Parteria Ancestral Andina e Diplomatura em Medicina Tradicional e Cosmovisão Indoamericana.

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