WhatsApp

+55 41 99243-5848

Email

ola@sabedoriadaterra.org

Atendimento

Seg - Sex: 9h às 17h

Segundo a Medicina Ayurveda, nosso corpo é formado por 7 dhatus ou tecidos corporais. Esses tecidos, também chamados de sapta dhatus, são formados a partir dos alimentos que consumimos. Por isso, a nossa saúde está intrinsecamente conectada com a qualidade da nossa alimentação.

Quando estão saudáveis, os dhatus ajudam a dar sustentação ao corpo, juntamente com os doshas e os malas (excretas). Contudo, quando há qualquer tipo de desequilíbrio nos doshas, estes afetam diretamente os tecidos corporais, causando sintomas.

Neste artigo, vou te contar um pouco mais sobre os 7 dhatus no Ayurveda, como eles se formam e qual sua importância. Continua comigo?

Dhatu: o que é?

A palavra dhātu (धातु) é de origem sânscrita e significa substância primária ou parte essencial de alguma coisa. Quando aplicado à Medicina Ayurvédica, representa os 7 tecidos que compõem o corpo dos seres vivos:

  • rasa dhatu (linfa);
  • rakta dhatu (sangue);
  • mamsa dhatu (músculos);
  • medho dhatu (gordura);
  • asthi dhatu (ossos);
  • majja dhatu (medula óssea);
  • shukra dhatu (espermatozóides);
  • artava dhatu (óvulos).

A formação dos sapta dhatu através da alimentação

De acordo com a Medicina Tradicional Indiana, todo o alimento que ingerimos, depois de ser digerido pelo agni, se transforma em duas substâncias principais:

  • sara: é carregada de nutrientes e será absorvida pelo corpo.
  • kitta: dejetos que serão eliminados pelo organismo.

Os nutrientes que serão absorvidos pelo organismo se transformam primeiro em rasa dhatu, que pode ser correlacionado à linfa.

Esse tecido é altamente nutritivo e o primeiro na lista de 7 dhatus no Ayurveda, pois é o que dá origem a todos os demais.

Depois de rasa dhatu, nós temos a formação de rakta dhatu, isto é, o sangue. Outra substância essencial para a nossa sobrevivência.

Em terceiro lugar, nós temos a formação de mamsa dhatu, ou tecido muscular. Como você sabe, os músculos são essenciais para o nosso movimento, para a realização de atividades físicas e também para a proteção do nosso corpo.

Depois de mamsa dhatu, vem a formação do tecido adiposo ou medha dhatu. O medha dhatu é formado, essencialmente, por gordura. Portanto, o volume desse tecido está diretamente ligado à quantidade de gordura que você consome nas refeições.

O quinto tecido corporal no Ayurveda é asthi dhatu, ou tecido ósseo. É isso mesmo, os alimentos que você consome também são responsáveis pela saúde dos seus ossos.

Na sequência de asthi dhatu, vem majja dhatu ou a formação da medula óssea. O famoso tutano do osso. E finalmente, o sétimo tecido corporal no Ayurveda é shukra dhatu (homens) ou artava dhatu (mulheres), isto é, o tecido reprodutivo.

Quando todos os dhatus estão em equilíbrio, damos o nome de sama dhatu. Quando eles estão diminuídos, chamados de dhatu kshaya. E quando os tecidos estão aumentados, chamamos de dhatu vrddhi.

Por que conhecer os sapta dhatu no Ayurveda?

É bastante comum as pessoas se concentrarem nos doshas e seus desequilíbrios e deixarem os sapta dhatu de lado. Mas, quando se trata de saúde ou doença, ambos têm grande importância.

Isso porque quando os doshas estão desequilibrados, eles afetam diretamente os dushyas ou, em outras palavras, os dhatu.

Essa relação é tão intrínseca e tão importante, que não podemos deixar os 7 dhatus de lado quando estamos numa consulta Ayurveda.

Por exemplo: se vata dosha está desequilibrado em sua qualidade ruksha (secura), você vai sentir isso literalmente na pele. Isto é, vai perceber que a sua pele está mais seca, descamando e esbranquiçada.

Se você sente queimação depois de comer, pode entender automaticamente que existe um desequilíbrio de pitta dosha. Logo, do seu agni.

Se você se sente inchada com frequência, vai perceber que kapha dosha não está no seu estado normal.

De forma resumida, os 7 dhatus no Ayurveda nos dão uma visão integral da interdependência que existe entre um tecido corporal e outro. E também nos alertam sobre o avanço de qualquer desequilíbrio.

Digamos que você esteja com acúmulo de gordura no organismo. Medha dhatu é o quarto tecido na nossa lista. Se existe um desequilíbrio nele, significa que os três anteriores também estão sofrendo algum desequilíbrio.

Esse entendimento é fundamental para refletirmos sobre as nossas rotinas sazonais, sobre a prática de atividades físicas e, claro, sobre a nossa alimentação.

Afinal, se não queremos adoecer, precisamos compreender que nosso organismo é como um edifício. Se as bases, que são a alimentação, o sono e o respeito à nossa natureza estão mal fundamentadas, todo o resto pode ruir.

Qual a relação entre os dhatus e os doshas?

Além de serem influenciados diretamente pelas oscilações dos doshas, cada um dos 7 dhatus no Ayurveda é controlado por um dosha.

Isso não significa que os outros não ajam também sobre o mesmo dhatu, mas sim, que existe uma dominância de um dosha nas funções daquele tecido.

DhatuFunção principalDosha dominante
rasa dhatunutriçãokapha dosha
rakta dhatupromove vidapitta dosha
mamsa dhatusuporte aos ossoskapha dosha
medho dhatulubrificaçãokapha dosha
asthi dhatuestabilidade ao corpovata dosha
majja dhatupreenchimento dos ossoskapha dosha
shukra dhatuartava dhatureproduçãokapha dosha

Como você pode notar, kapha dosha cumpre um papel determinante na formação dos tecidos. E o motivo é simples: é ele quem dá estabilidade, que promove o crescimento e a força.

Sua estabilidade é tão grande, que ele é o dosha que menos gera desequilíbrios no organismo. Por outro lado, pode ser profundamente afetado por vata dosha, em virtude da sua qualidade móvel.

Pitta, por sua vez, é responsável pelos processos de transformação no nosso organismo, muito vezes relacionados ao metabolismo. Sem pitta dosha, não conseguiríamos processar os alimentos e não conseguiríamos enxergar, por exemplo.

Por fim, vata dosha é o nosso amigo encrenqueiro, aquele que gosta de movimentar as coisas. E por ser inquieto, é o dosha que mais gera desequilíbrios no nosso organismo.

Por ser antagônico à kapha dosha, eles podem ser considerados como os dois lados de uma gangorra. Quanto um sobe demais, acaba deixando o outro mais baixo.

Uma visão mais aprofundada sobre os dhatu

Até aqui, te falei do essencial que você precisa saber para compreender o que são os dhatu no Ayurveda e como eles funcionam de uma maneira fisiológica.

Mas você sabia que nós não temos apenas um corpo (sharira)? Para a tradição Ayurveda, cada ser vivente é formado por três corpos:

  • sthula sharira: corpo grosseiro
  • sukshma sharira: corpo sutil
  • karana sharira: corpo causal

Sthula sharira é o nosso corpo material, que é formado pelos panchamahabhutas, entre outros elementos. O sukshma sharira, por sua vez, é formado por 17 elementos. Já o karana sharira é o nosso corpo essencial, a causa dos outros corpos.

Quando realizamos um tratamento ayurvédico, não estamos lidando apenas com o corpo grosseiro, mas sim com essas três camadas de existência. 

Espero que você tenha gostado de saber mais a respeito dos sapta dhatu no Ayurveda e tenha entendido a importância de não olhar apenas para os doshas, mas também para os sinais e sintomas que seus tecidos corporais mostram. Afinal, nosso corpo fala — e muito. Só precisamos saber ouvi-lo.

Um abraço e até o próximo artigo!

Eve.

Évelim Wroblewski

Geminiana, comunicóloga, taróloga, terapeuta Ayurveda e da Ginecologia Natural. Possui Especialização em Striroga (Ginecologia Ayurveda) e Manas Vijñana (Psicologia Ayurveda). Cursou Formação em Medicina Tradicional e Herbolaria Andina, Formação em Parteria Ancestral Andina e Diplomatura em Medicina Tradicional e Cosmovisão Indoamericana.

Você também pode gostar