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A esclerose múltipla (EM) é uma doença autoimune que afeta cerca de 2,9 milhões de pessoas em todo o mundo, sendo que 69% delas são mulheres, o que acende um alerta sobre as causas desse desequilíbrio.

Entre as teorias consideradas pela medicina moderna para o desencadeamento dessa doença estão fatores genéticos, autoimunes, infecciosos e ambientais. Contudo, ainda não há consenso sobre o que realmente ativa a esclerose múltipla, o que a torna uma doença incurável — pelo menos até o momento.

Entre os sintomas mais comuns da esclerose múltipla estão a fraqueza generalizada no corpo, sensação de dormência nos membros, dificuldades visuais, falta de equilíbrio, rigidez muscular e depressão.

Em estágios mais avançados, a pessoa pode experimentar a sensação de choques, espasmos musculares, dificuldades com relação à evacuação e micção, entre outros sintomas. Ou seja, trata-se de uma doença que debilita todo o organismo, comprometendo de forma significativa a qualidade de vida.

Com os recursos atuais, a medicina moderna pode promover algum conforto para as pessoas portadoras de esclerose múltipla. Mas nem sempre isso é suficiente. Por essa razão, muitas pessoas buscam formas de melhorar ainda mais a qualidade de vida. E é aí que a Medicina Ayurveda entra.

Neste artigo, vou compartilhar com você qual é a visão do Ayurveda sobre a esclerose múltipla e como esse conhecimento milenar pode ajudar pessoas com EM a terem uma vida mais longa e tranquila. Continua comigo?

O que é esclerose múltipla para o Ayurveda?

Se você me acompanha por aqui, sabe que o Ayurveda tem uma visão única sobre o corpo humano e o seu funcionamento. Esse entendimento é feito a partir dos doshas e como eles operam no organismo.

Quando observamos os sintomas clássicos da esclerose múltipla, como dormência de braços e pernas, dificuldade de equilíbrio, cansaço extremo, fraqueza muscular, dificuldade para caminhar, dificuldade visual, dificuldade de pensar com clareza, a sensação de choque nos nervos, entre outros, fica claro o envolvimento de vata dosha.

Isso porque o dosha vata é responsável por qualquer tipo de movimento em nosso organismo, como caminhar, abrir e fechar as mãos, articular braços e pernas, abrir e fechar os olhos…

Na perspectiva da medicina moderna, todos esses movimentos só são possíveis porque temos um sistema nervoso totalmente conectado emitindo pequenas descargas elétricas o tempo todo.

Os estímulos elétricos são enviados pelos axônios, que fazem parte dos neurônios. Esses axônios são cobertos por uma capa de gordura, chamada de bainha de mielina. Quando ela fica enfraquecida ou se rompe, essas descargas elétricas “escapam”, o que desencadeia os sintomas da EM.

É como um fio de luz desencapado. Na parte onde ele está desencapado, pode acontecer um curto-circuito. Já em outras áreas, pode não chegar energia suficiente para executar o que você precisa.

Diante disso, percebemos que o nosso sistema nervoso é comandado por vata dosha. Logo, dentro da perspetiva ayurvédica, trata-se de uma vata vyadhi ou uma doença causada pelo desequilíbrio de vata.

O que causa uma vata vyadhi?

Vata é o dosha mais importante porque é ele que mantém a nossa vida — nada muito significativo, não é mesmo? (contém ironia). Só que ele possui algumas características que o tornam desgovernado muito facilmente.

A principal dessas características, chamadas gunas, é a mobilidade. Vata está em constante movimento. Então, se algo bloqueia o seu caminho, ele vai se acumulando, acumulando, acumulando, até causar problemas.

Outro fator que afeta o vata dosha é a redução de tecidos, isto é, dhatus. Lembra da bainha de mielina? Ela é um tecido formado principalmente por gordura.

Quando vata se torna desequilibrado, aumenta a secura no nosso organismo e também a aspereza. E o que essas características fazem com a gordura? Reduzem-na. Ou seja, o vata agrava ainda mais.

Bom, falamos do bloqueio de vata dosha e também da redução de tecidos. O que mais pode provocar uma vata vyadhi?

Estresse, preocupação, sono insuficiente, traumas emocionais, excesso de atividade física e/ou mental e mais uma lista infinita de coisas. E aqui mora a razão de termos mais mulheres do que homens com sintomas de esclerose múltipla.

Esclerose múltipla: uma questão de gênero?

Só para você ter uma ideia, 55% das mães brasileiras são mães solo. Somente 17% das mulheres com filhos menores de 17 anos conseguiram completar o ensino superior. Isso significa menos acesso a empregos, salários mais baixos e dificuldade de ter uma vida digna.

Em 2025, mais de 3,7 milhões de mulheres relataram violência de gênero, um número muito abaixo do real, já que muitas mulheres não denunciam seus agressores por medo.

A cada 6 minutos uma criança ou adolescente é estuprada no Brasil. Mais uma vez, um dado que está aquém da realidade, já que a maioria não consegue denunciar seus agressores.

Só em 2025, 1568 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil, o que representa 40% dos homicídios femininos dolosos no país. Agora extrapole isso para o mundo.

Mulheres vivem constantemente sob pressão psicológica, com seus sistemas nervosos ativados. Ou seja, vata dosha agravado. Some a isso dupla e até tripla jornada de trabalho; cuidado com os filhos, pais, avós; pressão estética; assédio moral no trabalho; assédio sexual na internet…

São tantos fatores envolvidos e que podem desencadear a esclerose múltipla que é realmente difícil encontrar uma solução única para todo mundo.

A boa notícia é que o Ayurveda não olha para todo mundo, mas para cada pessoa individualmente. Mas antes de entrarmos nisso, quero te alertar para mais um perigo relacionado à esclerose múltipla.

Canetas emagrecedoras e uma potencial epidemia de esclerose múltipla

Lembra que um dos fatores de agravamento de vata dosha é a perda de tecidos? Perder peso de forma repentina, sem a formação de músculos, também agrava vata dosha.

E o que estamos vendo acontecer no Brasil e no mundo é algo alarmante: mulheres com feições cadavéricas, corpos tão magros que não conseguem se manter em pé sem auxílio.

Na visão do Ayurveda, o agravamento de vata dosha acelera a degeneração do corpo, levando-nos à morte. Por isso é tão importante mantermos nosso organismo em equilíbrio.

Quando abrimos mão da saúde por um padrão inalcançável de beleza, abrimos mão de viver. Sujeitamos nossos corpos a estados de desnutrição extrema, o que pode levar a outros problemas, como infertilidade, menopausa precoce, envelhecimento precoce, demência, esclerose múltipla, entre muitas outras doenças incapacitantes.

Não é à toa que vemos, com cada vez mais frequência, atrizes e modelos com diagnósticos de esclerose múltipla. Essas pessoas estão sujeitas a padrões estéticos extremos, os mesmos que estão sendo apresentados como sinônimo de glamour e riqueza nas redes sociais.

Compreender quais são os riscos de seguir esse tipo de “moda” é fundamental para que possamos escolher entre atender a padrões de uma sociedade patriarcal e baseada no controle de corpos femininos e manter-nos saudáveis, felizes e vivas.

É possível viver bem, apesar da esclerose múltipla?

A esclerose múltipla pode se apresentar de diferentes formas em cada pessoa. Algumas terão sintomas severos, enquanto outras apresentarão sintomas mais leves. Isso vai depender do quão agravado vata dosha está.

Dentro dessa perspectiva, o primeiro passo é entender que cada pessoa é única e merece um cuidado personalizado. Algo que toda boa terapeuta Ayurveda tem como princípio.

Após um diagnóstico claro, é possível lançar mão de uma série de recursos da Medicina Ayurveda para melhorar a qualidade de vida da pessoa portadora de esclerose múltipla. O principal deles é a oleação.

Vata dosha é seco, áspero e leve. O óleo, por sua vez, é gorduroso, macio e pesado. Ou seja, é o oposto. Sendo assim, ele ajuda a pacificar vata e a controlar os sintomas da esclerose múltipla. O consumo de alimentos untuosos, macios e pesados também cumpre essa função.

Dentro das terapias de panchakarma, basti e virechana são as mais indicadas para o controle de vata dosha. Contudo, shodhana chikitsa só deve ser feito em ambiente hospitalar, com acompanhamento de uma vaidya. Portanto, nada de fazer isso no Brasil, já que não temos hospitais ayurvédicos.

As terapias de rasayana também são bastante benéficas para quem apresenta sintomas de esclerose múltipla, pois elas nutrem e revigoram o organismo.

Manter uma atividade física constante, focada em fortalecimento muscular, reduzir os níveis de estresse e ansiedade, prezar por um ambiente familiar seguro e tranquilo e cuidar da sua saúde mental são outros fatores que podem fazer diferença no controle da esclerose múltipla.

Apesar de não ser curável, a esclerose múltipla pode ser controlada. Você só precisa do acompanhamento certo. E o Ayurveda pode te ajudar com isso.

Obrigada por me ler até aqui e, caso queira se aprofundar em outros temas relacionados à saúde feminina e às medicinas ancestrais, não deixe de assinar a minha newsletter.

Um abraço e a gente se fala no próximo artigo.

Eve.

Évelim Wroblewski

Geminiana, comunicóloga, taróloga, terapeuta Ayurveda e da Ginecologia Natural. Possui Especialização em Striroga (Ginecologia Ayurveda) e Manas Vijñana (Psicologia Ayurveda). Cursou Formação em Medicina Tradicional e Herbolaria Andina, Formação em Parteria Ancestral Andina e Diplomatura em Medicina Tradicional e Cosmovisão Indoamericana.

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