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A Medicina Ayurveda tornou-se conhecida mundialmente por uma característica que a torna única: as terapias de shodhana chikitsa, mais conhecidas como panchakarma.

Essas terapias consistem em expulsar os doshas agravados do corpo, de forma que seja mais fácil restabelecer o equilíbrio do organismo e, por conseguinte, a saúde da paciente.

Entre esses procedimentos, o virechana ou terapia de purgação é um dos mais conhecidos e é sobre ele que vamos falar neste artigo. Continua comigo?

O que é virechana?

Virechana (विरेचन) é uma das cinco terapias de panchakarma listadas na Medicina Ayurveda e consiste em provocar purgação, isto é, estimular várias evacuações para limpar o trato intestinal dos doshas agravados. 

Esta terapia é a mais indicada para eliminar o pitta dosha do organismo, seja sozinho ou associado a kapha dosha, além dos malas (excretas). O virechana pode ser de dois tipos:

  • snigdha: com substâncias oleosas, quando há excesso de secura no trato intestinal;
  • ruksha: com substâncias ressecativas, quando há excesso de oleosidade no trato intestinal.

Quando o virechana é indicado?

Como você viu, a principal indicação do virechana é quando temos pitta dosha agravado no trato intestinal. Ele pode estar sozinho ou então associado a kapha dosha.

Algumas das condições que podem ser tratadas com virechana são gastrite, gastroenterite, abscessos, doenças do fígado, problemas de pele e hemorroidas, por exemplo. Intoxicação, constipação, doenças do sistema genitourinário, doenças do baço e úlceras também entram na lista.

Essa terapia pode ser empregada, ainda, no tratamento de distúrbios como diabetes, fadiga crônica, sono excessivo ou insônia, impotência, infertilidade, entre outros.

Mas o virechana também pode ser feito como forma de manter a saúde em equilíbrio, isto é, sem que haja uma doença manifestada. Neste caso, a melhor estação para realizar o virechana é o outono, quando pitta está mais acumulado no organismo.

Quais são as contraindicações do virechana?

O tratamento com virechana é contraindicado para pacientes que apresentam algum tipo de sangramento, via retal ou vaginal, diarreia ou qualquer tipo de lesão na região íntima.

Idosos e crianças também não devem passar por uma terapia de purgação, pois ela debilita bastante o organismo. Obviamente, gestantes estão proibidas de passar por esse tipo de terapia.

Além disso, pessoas que estão com a saúde muito fragilizada não devem realizar o procedimento.

Quais são os benefícios de virechana no Ayurveda?

As terapias de panchakarma têm por objetivo expulsar os doshas do organismo quanto estes estão muito agravados e as terapias de shamana chikitsa não são suficientes para devolver à saúde da paciente.

Nesse sentido, o principal benefício do virechana é eliminar qualquer tipo de toxina do organismo para que ele consiga se restabelecer e voltar a funcionar adequadamente.

Mas não para por aí. Confira outros benefícios do virechana:

  • reequilíbrio da digestão e do metabolismo;
  • alívio de problemas gastrointestinais, como refluxo, gastrite, queimação;
  • alívio de doenças de pele;
  • melhora do humor;
  • melhora da qualidade do sono;
  • órgãos dos sentidos mais aguçados;
  • maior capacidade de raciocínio;
  • melhora da função hepática;
  • aumento da imunidade;
  • entre outros.

Como você pode ver, é possível beneficiar-se de muitas formas com uma terapia de virechana. Contudo, é importante lembrar que se aplicado como panchakarma, o virechana deve ser realizado em ambiente hospitalar, com acompanhamento de uma vaidya.

Qual a diferença entre vamana e virechana?

Se você leu meu artigo sobre vamana, sabe que essa terapia consiste em provocar o vômito terapêutico. Ou seja, a expulsão dos doshas agravados acontece pela boca. O virechana, por outro lado, consiste na expulsão dos doshas por via retal, isto é, pelo ânus.

Agora pare e reflita comigo: nosso corpo foi feito para que a eliminação de quaisquer resíduos da nossa alimentação aconteça pelo ânus ou pela uretra, no caso de líquidos. Esse movimento é suportado por vata dosha.

No vamana, nós forçamos a saída dos doshas agravados pelo esôfago, fazendo com que vata dosha vá no sentido contrário ao seu movimento natural. Ou seja, o procedimento é um pouco mais complexo e talvez até mais agressivo do que o virechana.

Via de regra, no Ayurveda, o que fazemos é expulsar os doshas pela saída mais próxima. Por isso, quando temos algo parado no estômago optamos pelo vamana e quando há algo parado no intestino optamos pelo virechana. Percebeu a lógica?

Quais ervas são usadas na terapia de virechana?

Para realizar o virechana, sempre pensamos em ervas purgativas, isto é, laxantes. Essa lista pode ser bastante extensa, mas vou citar algumas para você:

  • gamelina (Gmelina arborea);
  • jujuba (Zizyphus jujuba);
  • amalaki (Emblica officinalis);
  • videira (Vitis vinifera);
  • senne (Senna alexandrina);
  • cáscara sagrada (Rhamnus purshiana);
  • frângula (Rhamnus frangula).

Além das ervas, existe uma tática que é muito utilizada no Ayurveda e que seguramente a sua avó já conhecia: o óleo de rícino ou óleo de mamona.

Como aplicar o virechana?

O virechana segue os mesmos preceitos que eu te contei em detalhes no artigo sobre panchakarma:

  • purva karma: procedimentos de preparação;
  • pradhana karma: procedimento principal;
  • pashchat karma: cuidados pós-panchakarma.

No purva karma, entram a correção do agni (fogo digestivo) por meio de agni dipana e ama pachana, a oleação e a sudação.

Em seguida, vem o virechana propriamente dito e, na sequência, os cuidados pós-procedimento, que consistem em repouso e dieta adequada. Caso seja necessário passar por mais de um procedimento de shodhana chikitsa, o virechana vem depois do vamana.

Espero que você tenha gostado de saber um pouco mais sobre o virechana ou terapia de purgação no Ayurveda. E caso queira continuar explorando esse universo, te convido a assinar a minha newsletter

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Um abraço e a gente se vê no próximo artigo.

Eve.

Évelim Wroblewski

Geminiana, comunicóloga, taróloga, terapeuta Ayurveda e da Ginecologia Natural. Possui Especialização em Striroga (Ginecologia Ayurveda) e Manas Vijñana (Psicologia Ayurveda). Cursou Formação em Medicina Tradicional e Herbolaria Andina, Formação em Parteria Ancestral Andina e Diplomatura em Medicina Tradicional e Cosmovisão Indoamericana.

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